A cerâmica, como a mais antiga das artes possui uma bagagem de experiência que lhe dá um toque de esoterismo, no privilégio da interação direta com a terra, no trabalho alquímico com os quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo.

Os movimentos Arts and Crafts, no mundo ocidental e Minguei*, no Japão, ressuscitaram uma forma de vida e produção que corre no contrafluxo do desenvolvimentismo tecnológico das megalópoles, buscando as raízes da expressão singela do trabalho manual.

Em 1975, Toshiyuki e Mieko Ukeseki juntaram-se a Alberto Cidraes no Brasil para montar um atelier de cerâmica, fruto de compromisso assumido entre eles no Japão em 1973. Com um grupo, entretanto, enriquecido com Vicco, Toninho Cordeiro e Rubi Imanishi construiram no antigo matadouro municipal, o primeiro forno a lenha, tipo Noborigama, em Cunha.

 

Toshiyuki era grande admirador da estética a um tempo contemporânea e tradicional de Kanjiro Kawai e seu trabalho no Japão e início de Brasil foi muito influenciado por ele.

O polo de cerâmica de Cunha nasceu nessa sequência, dentro do contexto da cerâmica de autor lançado pelo movimento Minguei, e se desenvolveu até aos dias de hoje, aliciando muitos outros protagonistas em várias épocas nos últimos anos.

Enfrentaram duas décadas de enormes dificuldades. Mas realizaram seu sonho e transformaram a pequena Cunha em um dos mais importantes polos de cerâmica da América do Sul.

* Entre 1910 e 1930 um grupo de intelectuais japoneses liderados pelos ceramistas Shoji Hamada, Kanjiro Kawai e Kenkichi Tomimoto desencadeou o Movimento Minguei (arte do povo) que se propunha resgatar a beleza singela do trabalho produzido manualmente pelo artesão desconhecido.